WayCarbon Talks: Como captar recursos via Eco Invest e Fundo Clima? 

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O episódio mais recente do WayCarbon Talks explora os desafios e oportunidades do financiamento climático no Brasil, à luz de duas grandes iniciativas do mercado brasileiro: Eco Invest e Plano Clima. Mediado por Lauro Marins, Head de Consultoria e Soluções Digitais da WayCarbon, o videocast recebe Caio Barreto e Nathalia Pereira, respectivamente Consultor e Coordenadora da equipe de Finanças Sustentáveis da companhia. Confira, a seguir, os principais insights desse debate.

Está faltando financiamento?

Os especialistas explicam que falar de escassez ou não no financiamento climático depende da perspectiva e do tipo analisado. “Podemos concordar sobre a necessidade de aumentar e diversificar as fontes de recursos privados, principalmente via investimentos externos. Contudo, quando avaliamos a oferta de instrumentos, nossa reflexão é que talvez o caminho não seja criar novas linhas e mecanismos, mas sim dar escala ao que já existe disponível no mercado”, diz Nathalia Pereira.

Cabe ressaltar que o racional descrito acima diz respeito à descarbonização e tem sido trabalhado com clientes da WayCarbon em diversos setores, como Indústria, AFOLU (Agricultura Florestas e Uso do solo) e Transportes. “Já no caso da adaptação, que requer estruturas de financiamento mais específicas e um olhar mais local, o recurso costuma passar por um caminho mais longo, partindo de bancos multilaterais e do capital concessional até alcançar a ponta do projeto. Nesses casos, podem ser necessários novos arranjos e instrumentos”, pondera a especialista.

O escoamento dos recursos é um dos grandes gargalos dessa agenda, evidenciado pelo desafio de conectar a captação na ponta financeira à execução prática nos projetos. Os convidados analisaram esse cenário tomando como exemplos o Programa Eco Invest e o Plano Clima, iniciativas complementares, que unificam elementos fundamentais para destravar o financiamento climático no país.

Características do Eco Invest

O Eco Invest Brasil é um programa coordenado pelo Tesouro Nacional, que busca atrair capital internacional, com arranjos de alavancagem de recursos e Blended Finance. Funciona a partir de uma lógica de leilão, conectando o aporte com a alavancagem do recurso por uma instituição financeira.

Trata-se de uma estrutura financeira inovadora por endereçar diferentes gargalos, sejam de fontes de recurso, risco cambial, risco da operação ou de atratividade para o setor privado. Nas quatro chamadas já realizadas pelo programa, tanto bancos públicos quanto bancos privados participaram.

Contudo, os arranjos do Eco Invest tendem a ser mais atrativos para projetos de tickets relativamente altos, e além disso, existe uma complexidade técnica alta para acessar tanto os leilões quanto os recursos para projetos. “Isso cria uma expectativa de escoamento também dentro do setor financeiro, de que os bancos públicos, como BNDES e Caixa, façam repasses para instituições subnacionais. Essa seria uma maneira de pulverizar parte do ticket e chegar até a cadeia de valor, por exemplo, para poder descarbonizar não somente as empresas-âncora”, indica Pereira.

A captação via Fundo Clima

Já o Fundo Clima opera com recursos captados por meio de Títulos Soberanos Sustentáveis. Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e gerido pelo BNDES, funciona como um indutor de financiamento por oferecer taxas de juros altamente subsidiadas e prazos alongados, inviáveis no crédito comercial tradicional. Dessa forma, o Fundo se torna muito atrativo para viabilizar que empresas captem recursos e façam investimentos em tecnologias e projetos que geram reduções de emissões de GEE.

Um desafio para as empresas que buscam captar pelo Fundo é garantir a acurácia na mensuração e no reporte das informações. “A empresa precisa reportar indicadores e temas que comprovem que o recurso está indo para uma atividade de descarbonização. É uma contrapartida, já que a companhia está pegando um recurso mais barato do que a taxa de mercado. Isso pode gerar um custo operacional extra para as empresas que estão começando na agenda”, diz Caio Barreto.

Em suma, a disponibilidade de capital é apenas parte da equação. À medida que esses instrumentos ganham escala, cresce também a importância de estruturar projetos capazes de demonstrar impacto climático, mensurar resultados e atender aos requisitos de reporte exigidos por financiadores e políticas públicas.

A WayCarbon tem apoiado grandes e médias empresas nesses desafios há 20 anos. O suporte abrange desde a coleta de dados, análise do perfil de emissões e desenvolvimento de estratégias de descarbonização e adaptação, passando também pela estruturação de captações sustentáveis e avaliação de investimentos ESG.

Saiba mais sobre nossas soluções.

Episódio completo disponível no YouTube e no Spotify.

Maria Luiza Gonçalves
Jornalista e Analista de Comunicação Sênior at WayCarbon |  + posts

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