WayCarbon Talks: panorama e impactos pós-COP30
Passados dois meses da realização da COP30, o novo episódio do WayCarbon Talks se debruça sobre as principais decisões e avanços da Conferência de Belém. O bate papo focou em como as decisões da Conferência devem impactar a iniciativa privada. Para isso, o mediador Lauro Marins conversou com Felipe Bittencourt (CEO) e Keyvan Macedo (Head de Negócios Globais), que estiveram em Belém representando a WayCarbon e acompanharam painéis e negociações.
Felipe Bittencourt iniciou a conversa lembrando que apesar de ter sido a primeira edição de uma COP no Brasil, o país já havia sediado dois eventos importantes para a agenda climática e ambiental, a Rio 92, quando foi criada a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que organiza das Conferências das Partes, e a Rio + 10, realizada em 2002. “Participo de COPs desde 2008. Claro que tivemos alguns problemas em Belém, mas a edição não deixou nada a desejar às outras. Toda COP tem seus problemas”, avalia.
O executivo também lembrou que apesar de o resultado ter sido frustrante pela falta da menção aos combustíveis fósseis no texto final, isso não foi uma exclusividade da edição brasileira. “É a terceira COP que não avança nesse aspecto e até houve um ponto positivo com o surgimento de um novo evento para discutir o assunto, que ocorrerá entre 28 e 29 de abril deste ano na Colômbia”, disse Bittencourt.
Adaptação nos holofotes
Os especialistas concordam que um dos itens mais significativos para as empresas atuarem pós-COP30 é a adaptação à mudança do clima. Isso se deve não apenas ao fato de o financiamento para adaptação ter triplicado em Belém, mas também pelos indicadores criados para medir a agenda. Além disso, os impactos dos eventos climáticos extremos pelo mundo já afetam pessoas, empresas e governos, deixando a urgência mais tangível.
“Já percebo que a mudança do clima pode afetar minha operação direta: meu ativo, minha fábrica, meu centro de distribuição. Mas e quando olho para a infraestrutura da qual dependo para distribuir meu produto e para a minha cadeia de valor?”, questiona Keyvan Macedo. “Nesse cenário, as empresas precisam sair do escopo da atuação direta e entender: a minha cadeia é resiliente ou corro o risco de minha operação ficar parada porque uma rodovia está alagada? As normas IFRS, que serão obrigatórias para empresas de capital aberto no Brasil a partir de 2027, mostram como essa agenda deve estar conectada com a estratégia de negócios”, avalia.
Bittencourt acrescenta que, embora na Europa as organizações tenham começado a olhar a cadeia mais pelo viés da mitigação, no Brasil a adaptação deve passar na frente, principalmente pela fragilidade do País perante a crise climática.
Mercados de carbono
Em relação aos mercados de carbono, os especialistas contam que apesar de não ter havido grandes decisões sobre o tema, mas sim discussões processuais, o assunto teve certa repercussão no evento. “Vejo que o potencial da agenda é claro. Inclusive lançamos, como parte da programação da Conferência, a quarta edição do estudo que realizamos com o ICC, sobre o potencial do Brasil nesse mercado, com foco na demanda por créditos de carbono”, conta.
O executivo ressalta que o Brasil teve um papel de liderança ao propor a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono durante a Cúpula do Clima de Belém (em 7 de novembro). Posteriormente, a pauta foi discutida em uma reunião de líderes de alto nível durante a COP30. A iniciativa tem o intuito de criar um padrão comum e conectar diferentes sistemas de comércio de créditos de carbono para gerar liquidez, previsibilidade e transparência para o setor. A ideia é que a Coalização utilize um teto de emissões, compartilhado entre os participantes, esse teto diminuiria ao longo do tempo, estimulando a descarbonização das economias.
“Temos sempre que lembrar que o mercado é uma balança que tem riscos de um lado e oportunidades de outro. Logo, aquelas empresas que tiverem com suas agendas de descarbonização em dia e conseguirem entregar uma redução maior do que as permissões que possuem, têm uma moeda de troca na mesa. Na WayCarbon, já vemos empresas se movimentando nesse sentido”, concluiu Macedo.
Assista ou ouça o episódio completo.

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