Sete meses de CBAM da UE: qual é o custo de não mapear emissões?
O Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) da União Europeia (UE) é um mecanismo de taxação de carbono aduaneiro para produtos exportados para o bloco. Seu objetivo é igualar o preço do carbono de importações para a UE ao preço pago caso fossem produzidos em território europeu e, consequentemente, sujeitos ao Regime de Comércio de Licenças de Emissão, em inglês Emissions Trading System (ETS).
Quais são os setores regulados pelo CBAM?
O CBAM entrou em aplicação em 1º de outubro de 2023, em uma fase transitória voltada ao reporte de emissões incorporadas, sem obrigação financeira de compra de certificados. Desde 1º de janeiro de 2026, o mecanismo passou ao regime definitivo, no qual importadores europeus devem adquirir certificados CBAM para cobrir as emissões incorporadas nas mercadorias importadas nos seguintes setores:
- Ferro e Aço: Inclui desde o minério de ferro processado e produtos semiacabados até tubos, trilhos e estruturas.
- Alumínio: Abrange o alumínio não ligado, ligas de alumínio e produtos derivados (fios, chapas, folhas, tubos).
- Cimento: Passando pelo clínquer, cimento aluminoso, cimento Portland e cimentos hidráulicos.
- Fertilizantes: Focado em amônia, ácido nítrico, misturas de fertilizantes, ureia e nitratos.
- Eletricidade: Energia elétrica importada diretamente por conexões de rede com países fora do bloco.
- Hidrogênio: Incluído na lista de escopo técnico direto.
“Quando o exportador não apresenta dados próprios, auditáveis e verificáveis, o regulamento prevê o uso dos valores pré-definidos pela Comissão Europeia, o que pode elevar as emissões atribuídas ao produto e impactar diretamente seu custo final”, explica Rafael Della Barba, Coordenador de Descarbonização da WayCarbon. Para evitar esse problema, o exportador precisa monitorar, calcular e reportar suas emissões incorporadas, seguindo a metodologia definida pelo regulamento.
Com a iminência do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que cria obrigações de mensuração e reporte de emissões para setores da indústria nacional, empresas que já estruturam seus dados de forma confiável tendem a liderar o mercado, o que torna o CBAM ainda mais estratégico nesse momento.
“Os primeiros sete meses reforçam um aprendizado importante para os exportadores: preparar-se para descarbonizar vai além da conformidade regulatória e passa a fazer parte da estratégia de negócio. Entender emissões, custos e maturidade permite que empresas tomem decisões com mais clareza e se posicionem melhor em mercados mais exigentes. Quem começar antes provavelmente terá mais capacidade de adaptação e liderança”, avalia o especialista.
Como funciona o CBAM da UE?
As empresas europeias que decidirem importar de países fora da UE precisam adquirir certificados CBAM para cobrir as emissões incorporadas nas mercadorias importadas. Como o mecanismo funcionará inicialmente em conjunto com o ETS, o preço desses certificados será a média dos preços de fechamento de todos os leilões de permissões do EU ETS realizados durante cada semana.
Os importadores, por sua vez, terão que comprar certificados suficientes para refletir o imposto de carbono que pagariam se os bens adquiridos tivessem sido produzidos na União Europeia, de acordo com as regras de precificação de carbono vigentes. Os valores mais recentes publicados pela Comissão Europeia sobre os certificados CBAM foram de: €75,36/tCO₂ para o 1º trimestre de 2026 e €75,28/tCO₂ para o 2º trimestre.
Atualizações
A proposta da UE para ampliar o imposto de carbono para mais produtos está avançando no legislativo do bloco, segundo a Reset. A medida foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu no dia 7 de julho, como parte da reforma proposta pela Comissão Europeia em dezembro de 2025, mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário antes de seguir para as negociações finais com o Conselho da UE e a Comissão Europeia.
Como a WayCarbon pode ajudar?
Com duas décadas de experiência na agenda climática, a WayCarbon fornece apoio consultivo e tecnológico completo para as empresas se adequarem ao CBAM, desde o mapeamento das emissões até a precificação de carbono, incluindo a análise de concorrência e o desenvolvimento da estratégia de descarbonização.

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