{"id":9938,"date":"2023-12-14T15:55:37","date_gmt":"2023-12-14T18:55:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.waycarbon.com\/?p=9938"},"modified":"2025-02-25T15:13:42","modified_gmt":"2025-02-25T18:13:42","slug":"entrevista-com-sergio-margulis-financiamento-em-adaptacao-na-cop28","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/entrevista-com-sergio-margulis-financiamento-em-adaptacao-na-cop28\/","title":{"rendered":"Entrevista com Sergio Margulis: financiamento em adapta\u00e7\u00e3o na COP28"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\">Para falar sobre como o tema financiamento clim\u00e1tico em adapta\u00e7\u00e3o foi tratado na COP28, com foco em an\u00e1lise de risco e medidas de adapta\u00e7\u00e3o, convidamos Sergio Margulis. Matem\u00e1tico, com doutorado em economia ambiental pelo Imperial College (Londres), Margulis foi economista de meio ambiente do Banco Mundial por mais de 20 anos. Atualmente \u00e9 Consultor e <em>Senior Research Associate do International Institute for Sustainability<\/em> (IIS) e j\u00e1 atuou em diversos projetos ao lado da WayCarbon. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><b>1. Como voc\u00ea avalia os resultados da COP28 em termos de financiamento clim\u00e1tico para medidas de adapta\u00e7\u00e3o de governos e empresas? <\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><i>R: <\/i>A COP28 iniciou com uma primeira surpresa, falando em sua abertura sobre um fundo de investimentos para <a style=\"color: #000000\" href=\"https:\/\/blog.waycarbon.com\/2023\/06\/qual-e-o-custo-social-do-carbono\/\">perdas<\/a> e danos que, na verdade, se mostrou muito pouco significativo. Houve promessas de financiamento de menos de US$ 1 bilh\u00e3o. \u202fMuito antes do Acordo de Paris as estimativas das necessidades para financiamentos em adapta\u00e7\u00e3o somavam mais de US$ 100 bilh\u00f5es por ano.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">De acordo com o <i>Net-Zero roadmap<\/i> da Ag\u00eancia Internacional de Energia (<i>International Energy Agency<\/i>, IEA, em ingl\u00eas), gra\u00e7as ao crescimento recorde do setor de energia limpa, ainda \u00e9 poss\u00edvel limitar o aquecimento global a 1.5\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. No entanto, para atingir esse objetivo, o investimento teria de atingir cerca de US$ 4,5 trilh\u00f5es por ano at\u00e9 2030. Trabalho semelhante da Consultoria McKinsey estima esses investimentos em at\u00e9 US$ 9 trilh\u00f5es por ano. N\u00e3o h\u00e1 como avan\u00e7ar sem impor os custos gigantescos desta transi\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses ricos e ao setor privado respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Temos uma quest\u00e3o central que \u00e9 a governan\u00e7a. O <i>National Police Chiefs\u2019 Council<\/i> (NPCC), por exemplo, \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o tem poder para impor penaliza\u00e7\u00f5es a pa\u00edses que n\u00e3o cumprirem os compromissos para a transi\u00e7\u00e3o ao net-zero. Ali\u00e1s, todo o sistema da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) e os acordos das COP s\u00e3o aprovados por consenso un\u00e2nime. Isso juntamente com a falta de penaliza\u00e7\u00e3o torna as COPs term\u00f4metros do processo pol\u00edtico-econ\u00f4mico da negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, muito mais do que as negocia\u00e7\u00f5es em si. As mudan\u00e7as que importam s\u00e3o tratadas no G20, na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) e pelos minist\u00e9rios da economia dos pa\u00edses.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">2. <b>Na sua opini\u00e3o, tivemos avan\u00e7os na colabora\u00e7\u00e3o entre as agendas dos pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento rumo \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><i>R:\u00a0 <\/i>Infelizmente, n\u00e3o tenho uma vis\u00e3o otimista. Temos uma declara\u00e7\u00e3o de boas inten\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar na agenda de quem vai pagar a conta para solucionar, de verdade, os desafios da agenda clim\u00e1tica. Supostamente essa \u00e9 a agenda da pr\u00f3xima COP \u2013 uma agenda para l\u00e1 de atrasada. Precisamos de compromissos de governos dos pa\u00edses ricos de quanto ser\u00e1 investido, como e em que prazo. Algo que pode evoluir em reuni\u00f5es do G-20 ou f\u00f3runs econ\u00f4micos semelhantes que podem ser ajustados para tratar da quest\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o mais restrita aos pa\u00edses que realmente t\u00eam responsabilidade por resolver o problema \u2013 que s\u00e3o os pa\u00edses industrializados, os produtores de petr\u00f3leo, e poucos outros respons\u00e1veis por grandes emiss\u00f5es, como o Brasil e \u00cdndia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"> E n\u00e3o esquecer tamb\u00e9m que pessoas e empresas ricas dever\u00e3o inevitavelmente ajudar a pagar a conta, porque s\u00e3o tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es, estejam em pa\u00edses ricos ou pobres. Dada a urg\u00eancia clim\u00e1tica, eu acho que o mundo precisa de um mecanismo mais \u201cduro\u201d que assuma metas clim\u00e1ticas e de financiamento sujeitos \u00e0 penaliza\u00e7\u00e3o em caso de n\u00e3o cumprimento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00a03. <b>Quais s\u00e3o os principais desafios para que empresas e governos possam viabilizar medidas de identifica\u00e7\u00e3o de risco e adapta\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><i>R:\u00a0 <\/i>Na verdade, pa\u00edses, governos, empresas e sociedade civil t\u00eam que saber os riscos aos quais est\u00e3o expostos. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel falar em adapta\u00e7\u00e3o, se identificarmos realmente quais s\u00e3o esses riscos.\u00a0 Portanto, \u00e9 uma quest\u00e3o de modelagem. Temos cen\u00e1rios distintos ao redor do mundo. Regi\u00f5es costeiras t\u00eam um conjunto de coisas para se preocupar, as cidades t\u00eam outras, setores da ind\u00fastria tamb\u00e9m t\u00eam suas especificidades. Para as empresas, olhar para sua cadeia de valor \u00e9 essencial. \u00c9 preciso entender sobre o fornecimento de mat\u00e9ria prima e as necessidades de mercado.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O grande desafio \u00e9 o financiamento para implementar medidas de adapta\u00e7\u00e3o. Os pa\u00edses do Norte Global j\u00e1 est\u00e3o melhor preparados por conta da infraestrutura que j\u00e1 t\u00eam, enquanto os pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam esse desafio de crescer e, ao mesmo tempo, de forma resiliente. Como os pa\u00edses do sul global v\u00e3o crescer de maneira limpa sem financiamentos r\u00e1pidos dos pa\u00edses ricos? N\u00e3o vimos na COP28, mais uma vez, os compromissos concretos de quem ir\u00e1 pagar essa conta. Tecnologias j\u00e1 est\u00e3o na mesa e a ci\u00eancia j\u00e1 sinalizou o que precisa ser feito. Falta vontade pol\u00edtica e determina\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito dinheiro em jogo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Sabemos que h\u00e1 empresas que desejam ser Net-Zero, mas que ainda enfrentam dificuldades para controlar as suas emiss\u00f5es, em alguns casos com limita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica inclusive, como setores de cimento, qu\u00edmico, sider\u00fargico e de papel e celulose. H\u00e1 muito trabalho a ser feito. M\u00e3os \u00e0 obra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para falar sobre como o tema financiamento clim\u00e1tico em adapta\u00e7\u00e3o foi tratado na COP28, com foco em an\u00e1lise de risco e medidas de adapta\u00e7\u00e3o, convidamos Sergio Margulis. 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