{"id":12618,"date":"2026-08-27T12:07:53","date_gmt":"2026-08-27T15:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/?p=12618"},"modified":"2026-08-28T15:09:31","modified_gmt":"2026-08-28T18:09:31","slug":"por-que-metricas-e-metas-sao-importantes-mesmo-com-a-cvm-244","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/por-que-metricas-e-metas-sao-importantes-mesmo-com-a-cvm-244\/","title":{"rendered":"Por que M\u00e9tricas e Metas s\u00e3o importantes mesmo com a CVM 244?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta s\u00e9rie percorreu as tr\u00eas primeiras dimens\u00f5es dos IFRS S1 e S2 \/ CBPS 01 e CBPS 02: a <a href=\"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/governanca-em-sustentabilidade-e-clima-como-ifrs-s1-e-s2-estao-tracionando-a-tematica\/\">Governan\u00e7a<\/a>, que define quem responde pela supervis\u00e3o dos temas de sustentabilidade e clima; a <a href=\"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/a-dimensao-de-estrategia-nas-normas-ifrs-s1-e-s2\/\">Estrat\u00e9gia<\/a>, que mostra como esses fatores entram no modelo de neg\u00f3cios e nas perspectivas financeiras; e a <a href=\"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/a-dimensao-de-gestao-de-riscos-nas-normas-ifrs-s1-e-s2\/\">Gest\u00e3o de Riscos<\/a>, que organiza os processos de identifica\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o, prioriza\u00e7\u00e3o e monitoramento dessas exposi\u00e7\u00f5es. Fechamos o ciclo com a quarta dimens\u00e3o, m\u00e9tricas e metas, n\u00e3o menos relevante. \u00c9 justamente o que se reporta nesta dimens\u00e3o que torna todo o resto confi\u00e1vel para os investidores e demais usu\u00e1rios finais do relat\u00f3rio. \u00c9 o que permite que as companhias deixem de trazer um conte\u00fado essencialmente narrativo-te\u00f3rico e apresentar n\u00fameros audit\u00e1veis, com respaldo em frameworks globais, como a SASB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao atual contexto regulat\u00f3rio brasileiro, vale ressaltar que ele muda o enquadramento sem reduzir a relev\u00e2ncia do tema. Em maio de 2026, a Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 244 reformulou a CVM 193 e revogou a obrigatoriedade que passaria a valer a partir dos exerc\u00edcios iniciados em 1\u00ba de janeiro de 2026, com primeira divulga\u00e7\u00e3o prevista para 2027; o reporte segundo os padr\u00f5es CBPS 01 e CBPS 02 voltou a ser volunt\u00e1rio para as companhias abertas. Essa flexibiliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi de forma, n\u00e3o de conte\u00fado. Quem opta por reportar continua obrigado a seguir o padr\u00e3o CBPS\/ISSB sem reservas e a submeter o relat\u00f3rio \u00e0 assegura\u00e7\u00e3o por auditor independente, exig\u00eancia que a nova instru\u00e7\u00e3o normativa manteve. E, a partir de 1\u00ba de janeiro de 2027, a companhia que optar por n\u00e3o divulgar precisar\u00e1 justificar a decis\u00e3o em comunicado ao mercado. N\u00e3o reportar deixou de ser uma omiss\u00e3o discreta e passou a exigir justificativa p\u00fablica, al\u00e9m de se apresentar, neste novo formato, como posicionamento estrat\u00e9gico e diferencial competitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o in\u00edcio, temos sinalizado \u00e0s empresas que nos procuram que a press\u00e3o sobre essa agenda nunca foi s\u00f3 sobre cumprir regula\u00e7\u00e3o. Investidores, bancos, grandes compradores e agentes de cadeias de valor globais seguem cobrando dados clim\u00e1ticos confi\u00e1veis, e num cen\u00e1rio volunt\u00e1rio a distin\u00e7\u00e3o entre quem reporta com qualidade e quem n\u00e3o reporta fica mais identific\u00e1vel, n\u00e3o menos. O relat\u00f3rio deixa de ser prova de conformidade e passa a sinalizar maturidade, com efeito concreto no acesso a capital, em \u00edndices como o ISE B3 e em op\u00e7\u00f5es de financiamentos sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale e Renner, pioneiras dos primeiros relat\u00f3rios em 2025, j\u00e1 sinalizaram que manter\u00e3o o reporte. A Vale, inclusive, publicou em 2026 seu segundo relat\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es financeiras relacionadas \u00e0 sustentabilidade, ampliando a cobertura para temas do IFRS S1, o que evidencia um movimento de continuidade e amadurecimento, n\u00e3o de recuo. O pr\u00f3prio mercado refor\u00e7a a leitura de empresas que j\u00e1 vinham estruturando a agenda internamente, avaliando riscos de sustentabilidade e organizando seu reporte. Estas empresas tendem a dar continuidade, e, espera-se que dentre aquelas que optem pela divulga\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria em 2026, mant\u00ea-los nos pr\u00f3ximos anos. Nesse contexto, m\u00e9tricas e metas \u00e9 a dimens\u00e3o que menos depende do respaldo regulat\u00f3rio para gerar valor, e \u00e9 disso que trata este artigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a dimens\u00e3o de M\u00e9tricas e Metas prev\u00ea<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e9tricas e metas cumprem fun\u00e7\u00f5es diferentes e complementares. As m\u00e9tricas medem desempenho, o que a empresa emite, gasta e exp\u00f5e hoje; as metas declaram compromissos, para onde ela quer ir, em que prazo e a partir de que ponto de partida. A norma, al\u00e9m de cobrar os dois aspectos, prev\u00ea ainda que conversem entre si (meta sem m\u00e9trica de progresso n\u00e3o tem solidez; m\u00e9trica sem meta \u00e9 diagn\u00f3stico limitado, que n\u00e3o aponta dire\u00e7\u00e3o) e que ambos tenham robustez. Cada KPI e cada meta precisa de ano-base, metodologia de c\u00e1lculo expl\u00edcita e refer\u00eancias que deem lastro \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, requisitos m\u00ednimos sem os quais o dado n\u00e3o se sustenta perante auditores nem investidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CBPS 01 \/ IFRS S1 trata das m\u00e9tricas ligadas a qualquer tema material de sustentabilidade que a empresa tenha identificado como gerador de efeito financeiro (atual ou potencial). O CBPS 02 \/ IFRS S2 explora, no detalhe, o clima, com sete categorias de m\u00e9tricas transversais de divulga\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria quando o clima for financeiramente material. Entre elas, as emiss\u00f5es de GEE absolutas dos Escopos 1, 2 e 3, medidas pelo GHG Protocol Corporate Standard, sendo o Escopo 3 o ponto mais sens\u00edvel, por concentrar a maior fatia do total e ser o maior desafio das empresas hoje. Ainda, requer disclosure sobre os riscos f\u00edsicos e de transi\u00e7\u00e3o e as oportunidades, expressos em valores monet\u00e1rios sempre que poss\u00edvel (ativos expostos, capex e opex afetados, fluxo de caixa em risco), al\u00e9m do capital alocado, da precifica\u00e7\u00e3o interna de carbono e da remunera\u00e7\u00e3o atrelada a metas clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das transversais, o Ap\u00eandice B do S2, fundamentado nas normas SASB, traz m\u00e9tricas espec\u00edficas para cada ind\u00fastria dentro de onze setores definidos. \u00c9 no setor financeiro, que re\u00fane ind\u00fastrias como bancos comerciais, seguradoras e gestoras de ativos, que se concentra o maior desafio: as emiss\u00f5es financiadas, contabilizadas pela metodologia PCAF, m\u00e9trica que diz respeito a essas institui\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o \u00e0s empresas em geral, por decorrer das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e investimento que comp\u00f5em suas carteiras. Reconhecendo essa complexidade, o ISSB emitiu, em dezembro de 2025, emendas ao IFRS S2 que permitem \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira limitar a mensura\u00e7\u00e3o da Categoria 15 do Escopo 3 \u00e0s emiss\u00f5es financiadas e escolher o sistema de classifica\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias usado para desagreg\u00e1-las, com vig\u00eancia a partir de 1\u00ba de janeiro de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0s metas, cabe esclarecer que: a norma n\u00e3o obriga a companhia a t\u00ea-las. O que ela exige \u00e9 que, uma vez estabelecidas, essas metas sejam reportadas dentro de um padr\u00e3o m\u00ednimo de qualidade. N\u00e3o basta anunciar um target num\u00e9rico final, \u00e9 preciso divulgar o escopo (quais gases e escopos cobrem), o ano-base, o horizonte, os marcos intermedi\u00e1rios, o eventual uso de cr\u00e9ditos de carbono e a valida\u00e7\u00e3o por terceiros. Ainda que n\u00e3o haja obrigatoriedade, \u00e9 plaus\u00edvel que, \u00e0 medida que ganha maturidade, a companhia passe a estabelecer metas, porque elas funcionam como instrumento de compromisso p\u00fablico, disciplinam a aloca\u00e7\u00e3o de capital e a trajet\u00f3ria de descarboniza\u00e7\u00e3o, engajamento interno de colaboradores, sinalizam ambi\u00e7\u00e3o a investidores e financiadores, e d\u00e3o consist\u00eancia ao pr\u00f3prio relato ao longo do tempo. Neste contexto, cabe refor\u00e7ar a conectividade exigida pelo S1: m\u00e9tricas e metas devem estar integradas \u00e0 governan\u00e7a, \u00e0 estrat\u00e9gia e \u00e0 gest\u00e3o de riscos, n\u00e3o isoladas do restante do relato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do normativo \u00e0 pr\u00e1tica: como as empresas reportam<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras divulga\u00e7\u00f5es brasileiras antecipadas mostram como diferentes setores traduzem essas exig\u00eancias e onde est\u00e3o os maiores gargalos. O cen\u00e1rio atual est\u00e1 separado em dois grupos: as empresas que j\u00e1 publicaram sob IFRS S1 e S2 e aquelas que, mesmo sem ter adotado o formato, j\u00e1 operam com estruturas mais maduras de m\u00e9tricas e metas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vale publicou o primeiro relat\u00f3rio IFRS S2 com invent\u00e1rio completo dos tr\u00eas escopos auditado por terceiro independente e metas claras: redu\u00e7\u00e3o de 33% das emiss\u00f5es absolutas de Escopos 1 e 2 (market-based) at\u00e9 2030 sobre o ano-base de 2017, redu\u00e7\u00e3o de 15% das emiss\u00f5es l\u00edquidas de Escopo 3 at\u00e9 2035 e neutralidade l\u00edquida at\u00e9 2050. Reportou investimentos da ordem de R$ 7,4 bilh\u00f5es em descarboniza\u00e7\u00e3o ao longo de cinco anos. Em 2026, publicou seu segundo relat\u00f3rio, ampliando a cobertura para temas do IFRS S1 al\u00e9m do clima, e trazendo mais conte\u00fado sobre a precifica\u00e7\u00e3o interna de carbono: a Vale trata a exposi\u00e7\u00e3o a sistemas de pre\u00e7o, do SBCE ao CBAM, como vari\u00e1vel capaz de afetar a viabilidade de ativos, o que linka m\u00e9trica, risco e perspectiva financeira que a normativa exige.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Renner, deixou evidente o desafio relacionado ao Escopo 3 em cadeias longas e complexas. Suas metas validadas pela SBTi preveem redu\u00e7\u00e3o de 46,2% das emiss\u00f5es absolutas de Escopos 1 e 2 at\u00e9 2030 (ano-base 2019), complementada pela meta de Escopo 3 revisada em 2024, pelo compromisso de 100% de mat\u00e9rias-primas mais sustent\u00e1veis at\u00e9 2030 e pela neutralidade clim\u00e1tica at\u00e9 2050. O seu primeiro relat\u00f3rio, referente a 2024, \u00e9 transparente quanto \u00e0 metodologia e qualidade do dado: assume o uso de fatores de emiss\u00e3o setoriais (Higg Index e Ecoinvent) e as incertezas de rastreabilidade da cadeia t\u00eaxtil. Ainda, quantificou a oportunidade de venda de produtos mais sustent\u00e1veis em cerca de R$ 94 milh\u00f5es no resultado de 2024, com proje\u00e7\u00e3o de R$ 223 a 256 milh\u00f5es no fluxo de caixa em dez anos, o que \u00e9 um exemplo de boa pr\u00e1tica que conecta m\u00e9trica e efeito financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Irani, terceira companhia brasileira a divulgar relat\u00f3rio IFRS, \u00e9 um exemplo em que a empresa demonstra, com n\u00fameros, que as oportunidades clim\u00e1ticas podem superam os riscos. O relat\u00f3rio quantifica oportunidades da ordem de R$ 377 milh\u00f5es associadas \u00e0 demanda por papel e embalagens sustent\u00e1veis e R$ 105 milh\u00f5es \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da base florestal pr\u00f3pria, contra riscos estimados bem menores, como R$ 67 milh\u00f5es em eventos clim\u00e1ticos extremos. No campo das m\u00e9tricas, reportou redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de Escopos 1 e 2 e cumpriu antecipadamente o compromisso de ampliar o balan\u00e7o positivo entre emiss\u00f5es e remo\u00e7\u00f5es de GEE. Para sustentar essas afirma\u00e7\u00f5es frente a um processo de assegura\u00e7\u00e3o, a robustez e a rastreabilidade do invent\u00e1rio s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras empresas, a exemplo da Natura e Motiva (antiga CCR) j\u00e1 evidenciam uma maturidade no reporte de m\u00e9tricas e metas, ainda que n\u00e3o tenham divulgado seus relat\u00f3rios IFRS. A Natura, reporta seu desempenho no Relat\u00f3rio Integrado com assegura\u00e7\u00e3o externa, apoiada em frameworks como SASB, TCFD, TNFD e CDP, e j\u00e1 anunciou a ado\u00e7\u00e3o antecipada do IFRS S2 para o segundo semestre de 2026. A companhia, em 2025, reportou que reduziu 17% das emiss\u00f5es absolutas dos tr\u00eas escopos frente ao ano anterior, dentro da ambi\u00e7\u00e3o de tornar-se um neg\u00f3cio regenerativo at\u00e9 2050.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Motiva publicou em 2025 um documento definido como &#8220;relat\u00f3rio de transi\u00e7\u00e3o&#8221;: ainda ancorado no GRI e no SASB, com assegura\u00e7\u00e3o limitada, mas j\u00e1 organizado nos quatro pilares da norma e desenhado como prepara\u00e7\u00e3o para a futura ado\u00e7\u00e3o do IFRS S1 e S2. Esse relat\u00f3rio exemplifica tamb\u00e9m o tema deste artigo, tendo em vista a robustez das metas reportadas: compromissos validados pela SBTi de reduzir 59% das emiss\u00f5es de Escopos 1 e 2 e 27% do Escopo 3 at\u00e9 2033 (ano-base 2019) e neutralidade desses escopos at\u00e9 2035, com indicadores auditados externamente e parte da remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel dos executivos atrelada a metas clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todos os setores, pelo menos tr\u00eas desafios s\u00e3o v\u00e1lidos: a dificuldade em obter dados confi\u00e1veis para escopo 3; a garantia que haja comparabilidade entre ciclos; e, a calibragem entre metas cr\u00edveis e metas apenas aspiracionais. Em \u00faltima an\u00e1lise, estamos falando de qualidade e a rastreabilidade do dado, que \u00e9 exatamente o que um processo de assegura\u00e7\u00e3o vai garantir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a assegura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel exige desta dimens\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o sobre m\u00e9tricas e metas ganha outra camada quando se observa a evolu\u00e7\u00e3o da assegura\u00e7\u00e3o. De forma simplificada, os dois n\u00edveis se distinguem pela natureza da conclus\u00e3o do auditor:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Assegura\u00e7\u00e3o limitada<\/strong>: conclus\u00e3o negativa. O auditor declara que, com base nos procedimentos realizados, nada chegou ao seu conhecimento que indique distor\u00e7\u00e3o relevante.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Assegura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel:<\/strong> opini\u00e3o positiva, com n\u00edvel de confian\u00e7a mais alto, pr\u00f3ximo ao racional da auditoria das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras, ainda que nunca absoluto.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A limitada ainda predomina como porta de entrada para a assegura\u00e7\u00e3o de sustentabilidade, mas a trajet\u00f3ria regulat\u00f3ria e t\u00e9cnica caminha para um padr\u00e3o mais robusto, movimento refor\u00e7ado pela publica\u00e7\u00e3o do ISSA 5000 pelo IAASB, desenhado para assegurar informa\u00e7\u00f5es de sustentabilidade em diferentes temas, frameworks e n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a deixa de ser abstrata nas m\u00e9tricas clim\u00e1ticas. Sobre Escopos 1 e 2, a assegura\u00e7\u00e3o limitada tende a se apoiar em procedimentos anal\u00edticos e indaga\u00e7\u00f5es, avaliando consist\u00eancia, plausibilidade e ader\u00eancia metodol\u00f3gica. A razo\u00e1vel aprofunda: leituras de medidores testadas contra faturas de energia e combust\u00edveis, rec\u00e1lculo de fatores de emiss\u00e3o e convers\u00f5es, justificativa para exclus\u00f5es de fontes e avalia\u00e7\u00e3o rigorosa da completude do invent\u00e1rio. O ponto \u00e9 central porque o IFRS S2 exige a divulga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es absolutas dos tr\u00eas escopos conforme o GHG Protocol Corporate Standard, o que faz da qualidade da mensura\u00e7\u00e3o a base da credibilidade do reporte. Na pr\u00e1tica, o ISSA 5000 desloca a discuss\u00e3o de &#8220;ter o n\u00famero&#8221; para &#8220;conseguir sustentar o n\u00famero&#8221;. Isso exige:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>controles internos formais sobre coleta, consolida\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o dos dados;<\/li>\n\n\n\n<li>evid\u00eancias rastre\u00e1veis at\u00e9 a fonte original;<\/li>\n\n\n\n<li>avalia\u00e7\u00e3o da completude do per\u00edmetro reportado;<\/li>\n\n\n\n<li>premissas e estimativas defens\u00e1veis, sobretudo quando h\u00e1 uso de fatores setoriais ou dados secund\u00e1rios;<\/li>\n\n\n\n<li>identifica\u00e7\u00e3o dos pontos com maior risco de distor\u00e7\u00e3o relevante.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa transi\u00e7\u00e3o raramente \u00e9 imediata. Por isso o readiness assessment tem ganhado espa\u00e7o como etapa intermedi\u00e1ria, permitindo avaliar lacunas de dados, controles, sistemas, responsabilidades e evid\u00eancias antes do escrut\u00ednio formal. O mercado tamb\u00e9m pode caminhar para escopos combinados, com parte da informa\u00e7\u00e3o em assegura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e parte em limitada, sobretudo nos indicadores mais dependentes de estimativas ou dados de cadeia. Nesse cen\u00e1rio, Escopos 1 e 2 tendem a migrar primeiro, por envolverem dados mais pr\u00f3ximos da opera\u00e7\u00e3o e evid\u00eancias mais diretamente verific\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a exig\u00eancia de assegura\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto que n\u00e3o se flexibilizou. A CVM 244 tornou o reporte volunt\u00e1rio, mas manteve a assegura\u00e7\u00e3o por auditor independente registrado na CVM para quem opta por divulgar, e o texto consolidado da CVM 193 prev\u00ea a evolu\u00e7\u00e3o da assegura\u00e7\u00e3o limitada para a razo\u00e1vel nos exerc\u00edcios sociais iniciados a partir de 1\u00ba de janeiro de 2026. (Some-se a isso que, em dezembro de 2025, o CFC aprovou a NBC TAS 5000, vers\u00e3o brasileira do ISSA 5000, dando base t\u00e9cnica nacional a esses trabalhos). Para a companhia que decide reportar, portanto, a r\u00e9gua n\u00e3o caiu: n\u00e3o basta publicar, \u00e9 preciso faz\u00ea-lo com padr\u00e3o, m\u00e9todo e evid\u00eancia que sustentem assegura\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Indo al\u00e9m do cumprimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e9tricas e metas robustas tamb\u00e9m geram valor fora do relat\u00f3rio. Um invent\u00e1rio confi\u00e1vel \u00e9 a base para uma precifica\u00e7\u00e3o interna de carbono tecnicamente defens\u00e1vel e para decis\u00f5es de capex que incorporem o custo do carbono em an\u00e1lises de VPL, payback e prioriza\u00e7\u00e3o de investimentos. A mesma base melhora o di\u00e1logo com investidores e financiadores, que cada vez mais avaliam a coer\u00eancia entre meta declarada, trajet\u00f3ria de progresso, plano de transi\u00e7\u00e3o e aloca\u00e7\u00e3o efetiva de capital; segundo a PwC Global Investor Survey 2024, 76% dos investidores indicam maior confian\u00e7a em informa\u00e7\u00f5es de sustentabilidade quando elas s\u00e3o asseguradas, e 73% concordam que m\u00e9tricas, KPIs e divulga\u00e7\u00f5es narrativas deveriam ser assegurados no mesmo n\u00edvel das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse valor tamb\u00e9m se traduz em posicionamento frente aos mercados de carbono em forma\u00e7\u00e3o. A Lei n\u00ba 15.042\/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es (SBCE), ambiente regulado para limita\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e negocia\u00e7\u00e3o de ativos de emiss\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o ou remo\u00e7\u00e3o de GEE. Empresas com dados rastre\u00e1veis, controles maduros e clareza sobre sua exposi\u00e7\u00e3o estar\u00e3o em melhor posi\u00e7\u00e3o para precificar riscos, avaliar oportunidades e dialogar com reguladores e contrapartes. E a vincula\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas clim\u00e1ticas \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, quando bem desenhada, refor\u00e7a a interna: transforma a meta em responsabilidade de gest\u00e3o, n\u00e3o apenas em compromisso institucional publicado ao mercado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antecipa\u00e7\u00e3o como elemento-chave<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao encerrar a s\u00e9rie, o que fica \u00e9 a leitura das quatro dimens\u00f5es como um sistema, e n\u00e3o como se\u00e7\u00f5es independentes: governan\u00e7a, estrat\u00e9gia e gest\u00e3o de riscos descrevem inten\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es e processos, enquanto m\u00e9tricas e metas os tornam mensur\u00e1veis, compar\u00e1veis e verific\u00e1veis. \u00c9 o princ\u00edpio de conectividade do IFRS S1 e S2 na pr\u00e1tica, o relat\u00f3rio precisa evidenciar a rela\u00e7\u00e3o entre processos, riscos, desempenho e efeitos financeiros. E, como mostraram os casos ao longo do texto, n\u00e3o h\u00e1 caminho \u00fanico: o setor, o porte e a estrutura de emiss\u00f5es definem onde est\u00e1 o esfor\u00e7o, seja entre quem j\u00e1 publica sob IFRS, seja entre quem constr\u00f3i essa base antes de adotar o formato. Assim, o ponto de partida difere conforme a maturidade de cada empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem come\u00e7a, a prioridade \u00e9 uma base de dados confi\u00e1vel e a governan\u00e7a e lastro destes dados, antes de anunciar metas ambiciosas, porque meta \u201crobusta\u201d sobre dados fr\u00e1geis pode retornar como passivo, n\u00e3o ativo. Para quem j\u00e1 avan\u00e7ou, o foco passa a ser, dentre outros pontos, na rastreabilidade, comparabilidade entre ciclos, consist\u00eancia metodol\u00f3gica e prontid\u00e3o para assegura\u00e7\u00e3o. A CVM 244 mudou o grau de obrigatoriedade, n\u00e3o a relev\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o: construir m\u00e9tricas e metas robustas segue sendo decis\u00e3o de gest\u00e3o, n\u00e3o de conformidade, \u00e9 o que permite \u00e0 empresa entender sua exposi\u00e7\u00e3o, orientar capital, dialogar com o mercado e transformar o relat\u00f3rio em instrumento efetivo de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios. Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 193\/2023, conforme alterada pelas Resolu\u00e7\u00f5es CVM n\u00ba 219\/2024, 227\/2025 e 244\/2026 (esta \u00faltima revoga a obrigatoriedade e consolida o regime volunt\u00e1rio). Rio de Janeiro, 2023\u20132026.BRASIL. Lei n\u00ba 15.042, de 11 de dezembro de 2024 (institui o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa \u2013 SBCE).BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolu\u00e7\u00e3o CMN n\u00ba 4.945\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TAS 5000 \u2013 Assegura\u00e7\u00e3o de Relat\u00f3rios de Sustentabilidade, Relato Integrado e Correlatos, convergida ao padr\u00e3o internacional ISSA 5000 do IAASB. Bras\u00edlia, 11 dez. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CBPS \/ ISSB. Pronunciamentos T\u00e9cnicos CBPS 01 e CBPS 02. CVM, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IFRS FOUNDATION. IFRS S1 e IFRS S2 Climate-related Disclosures (incl. Appendix B, SASB). 2023. E Amendments to IFRS S2 \u2014 GHG Emissions Disclosures, ISSB, dez. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IAASB. International Standard on Sustainability Assurance 5000 \u2014 ISSA 5000: General Requirements for Sustainability Assurance Engagements. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GHG PROTOCOL. Corporate Standard e Corporate Value Chain (Scope 3) Standard. WRI\/WBCSD.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PCAF. Global GHG Accounting and Reporting Standard for the Financial Industry.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCIENCE BASED TARGETS INITIATIVE (SBTi). Corporate Net-Zero Standard. KPMG. Are you ready for ISSA 5000? An enhanced assurance standard for sustainability reporting. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PwC. Global Investor Survey 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOTIVA S.A. Relat\u00f3rio de Sustentabilidade 2025. S\u00e3o Paulo, 2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NATURA &amp;CO \/ NATURA RI. &#8220;Natura lan\u00e7a Relat\u00f3rio Integrado 2025 com atingimento antecipado de metas ESG&#8221;. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VALE S.A. Relat\u00f3rio de Informa\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas \u00e0 Sustentabilidade, exerc\u00edcios 2024 e 2025. Rio de Janeiro, 2025 e 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOJAS RENNER S.A. Informa\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas \u00e0 Sustentabilidade (IFRS S1 e S2 \/ CBPS 01 e 02), exerc\u00edcio 2024. Porto Alegre, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IRANI PAPEL E EMBALAGEM S.A. Relat\u00f3rio de Informa\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas \u00e0 Sustentabilidade, exerc\u00edcio 2025 (dados apresentados no Irani Day 2026). Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta s\u00e9rie percorreu as tr\u00eas primeiras dimens\u00f5es dos IFRS S1 e S2 \/ CBPS 01 e CBPS 02: a Governan\u00e7a, que define quem responde pela supervis\u00e3o dos temas de sustentabilidade e clima; a Estrat\u00e9gia, que mostra como esses fatores entram no modelo de neg\u00f3cios e nas perspectivas financeiras; e a Gest\u00e3o de Riscos, que organiza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":12619,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12618"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12632,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12618\/revisions\/12632"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}