{"id":12521,"date":"2026-05-27T10:04:03","date_gmt":"2026-05-27T13:04:03","guid":{"rendered":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/?p=12521"},"modified":"2026-05-27T10:04:04","modified_gmt":"2026-05-27T13:04:04","slug":"a-dimensao-de-estrategia-nas-normas-ifrs-s1-e-s2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/a-dimensao-de-estrategia-nas-normas-ifrs-s1-e-s2\/","title":{"rendered":"A dimens\u00e3o de\u00a0Estrat\u00e9gia\u00a0nas normas IFRS S1 e S2\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <a href=\"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/governanca-em-sustentabilidade-e-clima-como-ifrs-s1-e-s2-estao-tracionando-a-tematica\/\">artigo anterior<\/a> desta s\u00e9rie sobre as normas IFRS S1 e S2, abordamos a dimens\u00e3o de Governan\u00e7a, com foco nas estruturas respons\u00e1veis pela supervis\u00e3o dos riscos e oportunidades de sustentabilidade e de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia aprofunda essa discuss\u00e3o ao trazer o foco para a forma como esses fatores s\u00e3o incorporados ao modelo de neg\u00f3cios, ao planejamento estrat\u00e9gico e \u00e0s decis\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que uma evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos relat\u00f3rios, a dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia materializa uma demanda recorrente de investidores: que impactos atuais e potenciais de riscos e oportunidades de sustentabilidade no desempenho financeiro presente e futuro das companhias passem a ser informados e tratados como parte fundamental de seu dever fiduci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, este artigo explora o que os IFRS S1 e S2 exigem especificamente na dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia, como essas exig\u00eancias come\u00e7am a se refletir na pr\u00e1tica do mercado brasileiro, e de que forma uma abordagem estrat\u00e9gica robusta pode ir al\u00e9m do cumprimento regulat\u00f3rio, contribuindo para gera\u00e7\u00e3o de valor, resili\u00eancia corporativa e vantagem competitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia prev\u00ea<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia define como as entidades devem explicar os efeitos dos riscos e oportunidades ligados \u00e0 sustentabilidade e ao clima na estrat\u00e9gia corporativa, modelo de neg\u00f3cios e perspectivas financeiras. O foco \u00e9 prospectivo e econ\u00f4mico: demonstrar como esses fatores influenciam decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e a cria\u00e7\u00e3o de valor ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma transversal, a dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia atua como elo entre governan\u00e7a, gest\u00e3o de riscos e m\u00e9tricas, exigindo coer\u00eancia entre identifica\u00e7\u00e3o de riscos, tomada de decis\u00e3o e monitoramento. A norma exige que as companhias evidenciem como a sustentabilidade est\u00e1 incorporada \u00e0 l\u00f3gica estrat\u00e9gica do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do normativo \u00e0 pr\u00e1tica: como empresas est\u00e3o estruturando a estrat\u00e9gia\u202f<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras divulga\u00e7\u00f5es alinhadas aos IFRS S1 e S2 indicam que os relatos come\u00e7am a migrar, ainda que de forma gradual, de um exerc\u00edcio descritivo para um instrumento de apoio \u00e0 tomada de decis\u00e3o. Observa-se um esfor\u00e7o crescente para explicitar como riscos e oportunidades clim\u00e1ticos e de sustentabilidade influenciam prioridades estrat\u00e9gicas como crescimento, efici\u00eancia operacional e posicionamento competitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mercado brasileiro, os relatos j\u00e1 publicados de Vale e Renner evidenciam a transi\u00e7\u00e3o para um uso mais estrat\u00e9gico das informa\u00e7\u00f5es de sustentabilidade. Nesses casos, observa-se a supera\u00e7\u00e3o de abordagens extensivas de materialidade em favor de an\u00e1lises mais seletivas, orientadas pelo potencial de riscos e oportunidades de afetar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e resultados financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Renner, por exemplo, articula riscos clim\u00e1ticos f\u00edsicos e de transi\u00e7\u00e3o \u00e0 sua estrat\u00e9gia de efici\u00eancia operacional e expans\u00e3o sustent\u00e1vel, traduzindo exposi\u00e7\u00f5es da cadeia de fornecedores, press\u00f5es regulat\u00f3rias e custos associados a emiss\u00f5es em decis\u00f5es sobre log\u00edstica, relacionamento com fornecedores, investimentos e aloca\u00e7\u00e3o de capital. De forma semelhante, a Vale passa a relacionar riscos clim\u00e1ticos a temas como resili\u00eancia de ativos, continuidade operacional e prioriza\u00e7\u00e3o de investimentos, sinalizando um avan\u00e7o na integra\u00e7\u00e3o entre sustentabilidade, estrat\u00e9gia e desempenho financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A WayCarbon tem apoiado consultivamente empresas de diversos setores a se prepararem para o reporte em 2027, e um desafio tem chamado bastante aten\u00e7\u00e3o: a (falta de) integra\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas internas \u2013 sustentabilidade, controladoria, riscos, opera\u00e7\u00f5es etc. Em muitos casos, por exemplo, an\u00e1lises clim\u00e1ticas e estudos de risco s\u00e3o desenvolvidos de forma isolada e paralela aos processos formais de planejamento estrat\u00e9gico, o que dificulta a tradu\u00e7\u00e3o dos resultados em decis\u00f5es executivas consistentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro desafio observado est\u00e1 relacionado \u00e0 confiabilidade dos dados, especialmente em an\u00e1lises de risco e de cen\u00e1rios clim\u00e1ticos. No est\u00e1gio inicial de ado\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum o uso de premissas, modelos gen\u00e9ricos ou dados externos pouco calibrados \u00e0 realidade da empresa. Esse ponto ganha relev\u00e2ncia adicional diante da necessidade de assegura\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que o mercado avan\u00e7a para relat\u00f3rios sujeitos a maior escrut\u00ednio, torna-se essencial que os estudos de riscos e cen\u00e1rios sejam robustos, bem documentados e apoiados por premissas defens\u00e1veis. A prepara\u00e7\u00e3o para a assegura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um requisito t\u00e9cnico, mas um fator-chave para a credibilidade das divulga\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e para a confian\u00e7a dos usu\u00e1rios da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, coloca-se um desafio complementar para a aplica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das normas: como garantir coer\u00eancia, comparabilidade e rastreabilidade dessas an\u00e1lises ao longo do tempo quando premissas e estimativas iniciais precisam ser revistas, refinadas ou at\u00e9 substitu\u00eddas em ciclos futuros de reporte?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Indo al\u00e9m do cumprimento regulat\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que as empresas avan\u00e7am na adequa\u00e7\u00e3o normativa para uma aplica\u00e7\u00e3o mais consistente dos IFRS S1 e S2, torna-se evidente que o relato pode operar como um vetor de gera\u00e7\u00e3o de valor, e n\u00e3o apenas como uma resposta regulat\u00f3ria. Quando riscos e oportunidades de sustentabilidade s\u00e3o incorporados ao planejamento estrat\u00e9gico, o resultado tende a ser uma base decis\u00f3ria, mais robusta, capaz de sustentar crescimento e resili\u00eancia em contextos de maior incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos efeitos mais imediatos dessa abordagem \u00e9 a melhoria da qualidade do di\u00e1logo com investidores e credores, refor\u00e7ando transpar\u00eancia e credibilidade. A conex\u00e3o entre riscos clim\u00e1ticos, decis\u00f5es de capital e perspectivas financeiras permite uma melhor compreens\u00e3o n\u00e3o apenas da exposi\u00e7\u00e3o da empresa, mas da estrat\u00e9gia que orienta as decis\u00f5es de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra oportunidade relevante \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o de riscos financeiros associados \u00e0 sustentabilidade e ao clima. Ao analisar riscos f\u00edsicos extremos, depend\u00eancia de recursos naturais cr\u00edticos ou mudan\u00e7as regulat\u00f3rias, as empresas passam a testar a robustez de suas estrat\u00e9gias antes que esses fatores se materializem em perdas operacionais ou financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seu primeiro relato S2, a Vale relaciona riscos f\u00edsicos \u2013 como eventos clim\u00e1ticos extremos e disponibilidade h\u00eddrica \u2013 \u00e0 resili\u00eancia de seus ativos, \u00e0 continuidade operacional e \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o de investimentos. No varejo, a experi\u00eancia da Renner ilustra como an\u00e1lises de riscos clim\u00e1ticos e de cadeia de valor, quando integradas a uma vis\u00e3o mais clara das depend\u00eancias operacionais, orientam iniciativas de efici\u00eancia log\u00edstica, fortalecimento do relacionamento com fornecedores e posicionamento competitivo. Al\u00e9m de mitigar riscos, essas iniciativas refor\u00e7am vantagem competitiva em segmentos nos quais crit\u00e9rios ambientais j\u00e1 influenciam decis\u00f5es de consumo e de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao exigir a conex\u00e3o expl\u00edcita entre sustentabilidade, estrat\u00e9gia e desempenho financeiro, as normas incentivam uma vis\u00e3o integrada de riscos e oportunidades, atuando como catalisadores de decis\u00f5es mais informadas e alinhadas ao futuro dos neg\u00f3cios. Antecipar essa incorpora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, portanto, deixa de ser apenas prepara\u00e7\u00e3o para uma obriga\u00e7\u00e3o futura e passa a representar um instrumento de gest\u00e3o no presente \u2013 com potencial claro de diferencia\u00e7\u00e3o competitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antecipa\u00e7\u00e3o como elemento-chave da implementa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A incorpora\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o de Estrat\u00e9gia aos IFRS S1 e S2 exige que as empresas iniciem desde j\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o consistente de sua ader\u00eancia \u00e0s normas, promovendo maior integra\u00e7\u00e3o entre planejamento estrat\u00e9gico, gest\u00e3o de riscos e sustentabilidade. A prepara\u00e7\u00e3o gradual at\u00e9 2027 favorece ganhos de maturidade, consist\u00eancia e qualidade das informa\u00e7\u00f5es divulgadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que antecipar uma exig\u00eancia regulat\u00f3ria, avan\u00e7ar desde j\u00e1 nessa agenda \u00e9 uma oportunidade de fortalecer a tomada de decis\u00e3o estrat\u00e9gica, ampliar a resili\u00eancia dos neg\u00f3cios e qualificar o di\u00e1logo com investidores\u202f-\u202fespecialmente quando esse processo \u00e9 apoiado por an\u00e1lises t\u00e9cnicas e expertise especializada.\u202f<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios. Of\u00edcio Circular n\u00ba 1\/2026\/CVM\/SNC\/GNC.&nbsp;Rio de Janeiro, 2026\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IFRS FOUNDATION. IFRS S1 General Requirements for Disclosure of Sustainability-related Financial Information.\u202fLondres, 2023\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relat\u00f3rio de Informa\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas \u00e0 Sustentabilidade referente ao IFRS S2\/CBPS 02\u201c. Lojas Renner, 2025. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.lojasrennersa.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Informacoes-financeiras-relacionadas-a-sustentabilidade-clima-IFRS-S1-e-S2-_-CBPS-1-e-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/www.lojasrennersa.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Informacoes-financeiras-relacionadas-a-sustentabilidade-clima-IFRS-S1-e-S2-_-CBPS-1-e-2.pdf<\/a>. \u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relat\u00f3rio de Informa\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas \u00e0 Sustentabilidade referente ao IFRS S2\/CBPS 02. Vale, 2025. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/api.mziq.com\/mzfilemanager\/v2\/d\/53207d1c-63b4-48f1-96b7-19869fae19fe\/8b8371ec-4385-4955-4005-e98f71863296?origin=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/api.mziq.com\/mzfilemanager\/v2\/d\/53207d1c-63b4-48f1-96b7-19869fae19fe\/8b8371ec-4385-4955-4005-e98f71863296?origin=1<\/a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 193\/2023. Dispon\u00edvel em:\u202f<a href=\"https:\/\/conteudo.cvm.gov.br\/export\/sites\/cvm\/legislacao\/resolucoes\/anexos\/100\/resol193consolid.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/conteudo.cvm.gov.br\/export\/sites\/cvm\/legislacao\/resolucoes\/anexos\/100\/resol193consolid.pdf<\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No artigo anterior desta s\u00e9rie sobre as normas IFRS S1 e S2, abordamos a dimens\u00e3o de Governan\u00e7a, com foco nas estruturas respons\u00e1veis pela supervis\u00e3o dos riscos e oportunidades de sustentabilidade e de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. 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