{"id":12470,"date":"2026-04-28T08:52:30","date_gmt":"2026-04-28T11:52:30","guid":{"rendered":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/?p=12470"},"modified":"2026-04-28T08:52:32","modified_gmt":"2026-04-28T11:52:32","slug":"governanca-em-sustentabilidade-e-clima-como-ifrs-s1-e-s2-estao-tracionando-a-tematica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/waycarbon.com\/pt\/blog\/governanca-em-sustentabilidade-e-clima-como-ifrs-s1-e-s2-estao-tracionando-a-tematica\/","title":{"rendered":"Governan\u00e7a em sustentabilidade e clima: como IFRS S1 e S2 est\u00e3o tracionando a tem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>A crescente incorpora\u00e7\u00e3o de temas de sustentabilidade e clima \u00e0 agenda corporativa vem transformando n\u00e3o apenas o que as empresas reportam, mas, sobretudo, como tomam decis\u00f5es. Nesse contexto, a consolida\u00e7\u00e3o das normas IFRS S1 e S2 representa um avan\u00e7o importante ao estabelecer um novo patamar para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es financeiras correlatas, com foco em investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um est\u00edmulo \u00e0 transpar\u00eancia, as normas exploram a capacidade real das empresas de estabelecer conex\u00f5es entre seus temas financeiramente materiais, sua gest\u00e3o de riscos e oportunidades e a estrat\u00e9gia do Neg\u00f3cio. Isso aponta para a necessidade de uma governan\u00e7a estruturada, que seja capaz de sustentar e alavancar, na pr\u00e1tica, a agenda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da estrutura \u00e0 efetividade: o que as normas passam a exigir<\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, as pr\u00e1ticas ESG avan\u00e7aram de forma significativa nos \u00faltimos anos. Por consequ\u00eancia, a maioria das grandes empresas, especialmente as de capital aberto, j\u00e1 incorpora o tema em seus relat\u00f3rios e possui estruturas formais de governan\u00e7a, como comit\u00eas e atribui\u00e7\u00f5es em n\u00edvel de conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a maturidade dessas estruturas ainda \u00e9 desigual. Estudo conduzido pelo IBGC1 em 2025 demonstra que, embora muitas empresas j\u00e1 reportem algum n\u00edvel de governan\u00e7a em sustentabilidade e clima, ainda h\u00e1 pouca transpar\u00eancia sobre como essa supervis\u00e3o influencia movimenta\u00e7\u00f5es concretas. Como exemplo, somente 41% das empresas divulgam, publicamente, os processos para consolida\u00e7\u00e3o das suas matrizes de risco \u2013 incluindo os respons\u00e1veis e suas atribui\u00e7\u00f5es. Esse percentual \u00e9 ainda menor (26%) quando se observa a transpar\u00eancia sobre os impactos de riscos e oportunidades na gera\u00e7\u00e3o de valor ao longo do tempo e sua efetiva utiliza\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contrapondo a esse cen\u00e1rio, as normas IFRS S1 e S2 elevam o olhar da estrutura para a execu\u00e7\u00e3o, prevendo que a governan\u00e7a, al\u00e9m de envolver a formaliza\u00e7\u00e3o de inst\u00e2ncias e diretrizes, deve ancorar-se em processos, controles e atribui\u00e7\u00f5es que permitam o devido monitoramento de riscos e oportunidades e, assim, viabilizem a tomada de decis\u00e3o informada. A expectativa, portanto, \u00e9 de uma governan\u00e7a com capilaridade, que conecte diferentes fun\u00e7\u00f5es e n\u00edveis organizacionais, garantindo que a estrat\u00e9gia e a opera\u00e7\u00e3o da empresa se retroalimentem:<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel estrat\u00e9gico, as normas esperam que haja supervis\u00e3o ativa e qualificada pelos \u00f3rg\u00e3os de governan\u00e7a. As empresas devem explicitar qual inst\u00e2ncia da alta administra\u00e7\u00e3o (como Conselho, comit\u00eas, \u00f3rg\u00e3o ou indiv\u00edduo) \u00e9 respons\u00e1vel por supervisionar os temas de sustentabilidade e clima e como se d\u00e3o os fluxos de reporte. Adicionalmente, devem detalhar o papel da administra\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o e no monitoramento de metas, assim como na gest\u00e3o de riscos e oportunidades, evidenciando, sobretudo, o tr\u00e2nsito entre os resultados desses processos e a tomada de decis\u00e3o (por exemplo, como trade-offs relacionados a riscos s\u00e3o considerados).<\/p>\n\n\n\n<p>Para subsidiar tais \u00f3rg\u00e3os, as normas indicam a poss\u00edvel delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias para esferas gerenciais, que ser\u00e3o encarregados da condu\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e operacional da agenda, ou seja, da gest\u00e3o cotidiana dos riscos e oportunidades relatados e das metas estabelecidas. Al\u00e9m da transpar\u00eancia sobre as pol\u00edticas e procedimentos que orientam essa atua\u00e7\u00e3o, analisa-se o grau de integra\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas, o que sinaliza que quest\u00f5es relacionadas a clima e sustentabilidade devem ser endere\u00e7adas de forma transversal.<\/p>\n\n\n\n<p>Com foco na garantia do envolvimento efetivo, as normas ainda questionam como os componentes dessa governan\u00e7a avaliam se possuem as habilidades necess\u00e1rias para lidar com os temas em foco e quais os mecanismos adotados para assegurar que o conhecimento seja continuamente desenvolvido e atualizado. Capacidade t\u00e9cnica, nesse contexto, deixa de ser um atributo desej\u00e1vel e passa a ser um requisito fundamental para que as informa\u00e7\u00f5es sejam confi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, entra em cena um elemento impulsionador da tem\u00e1tica: os incentivos. As empresas devem reportar se o seu desempenho em sustentabilidade e clima se conecta \u00e0s pol\u00edticas de remunera\u00e7\u00e3o e como isso \u00e9 feito. Mais do que a simples inclus\u00e3o de indicadores, o que se avalia \u00e9 a capacidade da remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel de traduzir a estrat\u00e9gia ESG em comportamento decis\u00f3rio recorrente, evidenciando se essa agenda, de fato, influencia a forma como a organiza\u00e7\u00e3o aloca recursos, define prioridades e mede seus pr\u00f3prios resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dessas iniciativas j\u00e1 pode ser observada no contexto brasileiro. A Vale2, por exemplo, adota uma estrutura de governan\u00e7a multin\u00edvel, na qual o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o &#8211; apoiado por comit\u00eas de assessoramento, como o de Sustentabilidade &#8211; incorpora riscos e oportunidades socioambientais na tomada de decis\u00e3o estrat\u00e9gica, incluindo a aprova\u00e7\u00e3o de recursos e diretrizes.<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel executivo, inst\u00e2ncias como o Comit\u00ea Executivo de Riscos de Sustentabilidade operacionalizam a agenda, acompanhando temas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, direitos humanos e biodiversidade. Complementarmente, f\u00f3runs t\u00e9cnicos, como o de Baixo Carbono, conectam especialistas e lideran\u00e7a na condu\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de descarboniza\u00e7\u00e3o, com reporte peri\u00f3dico ao Conselho. A companhia tamb\u00e9m vincula parte da remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel dos executivos, tanto de curto quanto de longo prazo, a metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e a indicadores de desempenho em sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, a Lojas Renner3 apresenta um modelo de governan\u00e7a integrado, com envolvimento do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, do Comit\u00ea de Sustentabilidade \u2013 que, trimestralmente, deve informar o Conselho sobre riscos &#8211; e de diretoria dedicada ao tema. Ademais, a companhia alinha metas ESG aos incentivos das lideran\u00e7as (diretoria, ger\u00eancia, coordena\u00e7\u00e3o, especialistas e supervis\u00e3o), com pesos que podem chegar a 55%, a depender do n\u00edvel hier\u00e1rquico. Esse arranjo refor\u00e7a a transversalidade da agenda e sua incorpora\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00e3o cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre a exig\u00eancia e a pr\u00e1tica: os desafios da implementa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a de foco promovida pelas normas &#8211; da mera estrutura para a efetividade &#8211; imp\u00f5e um novo n\u00edvel de exig\u00eancia \u00e0s empresas. Demonstrar como a governan\u00e7a est\u00e1 desenhada j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente; passa a ser necess\u00e1rio comprovar como ela opera na pr\u00e1tica, de forma consistente, integrada e pass\u00edvel de assegura\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento traz implica\u00e7\u00f5es diretas para a forma como ritos, responsabilidades e fluxos de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o organizados. A premissa de informa\u00e7\u00f5es audit\u00e1veis exige que, al\u00e9m de implementar rotinas e controles robustos, as empresas produzam evid\u00eancias que sustentem a atua\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias implicadas, como pol\u00edticas, regimentos e atas de reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A demanda por rastreabilidade se reflete em um desafio mais amplo: ser\u00e1 a pr\u00f3pria estrutura de governan\u00e7a em sustentabilidade e clima a respons\u00e1vel por garantir o rigor das m\u00e9tricas a serem divulgadas e por coordenar a elabora\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios IFRS S1 e S2. No limite, reportar bem depende, diretamente, de gerir bem &#8211; e de conseguir provar isso.<\/p>\n\n\n\n<p>As normas ainda refor\u00e7am a import\u00e2ncia de que as informa\u00e7\u00f5es sejam divulgadas de forma concisa e sem duplicidade. Nesse sentido, recomenda-se que as empresas reportem a governan\u00e7a de maneira consolidada, em vez de apresentar divulga\u00e7\u00f5es distintas para cada tema de sustentabilidade e clima, o que refor\u00e7a a relev\u00e2ncia de arranjos n\u00e3o fragmentados.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe destacar, por fim, que n\u00e3o h\u00e1 al\u00edvios de transi\u00e7\u00e3o nem mecanismos de proporcionalidade4 aplic\u00e1veis \u00e0 dimens\u00e3o de Governan\u00e7a no S1 e no S2. Contudo, as normas n\u00e3o prescrevem um modelo \u00fanico a ser adotado, cabendo a cada empresa definir as estruturas e o n\u00edvel de complexidade mais adequados ao seu contexto. As exig\u00eancias concentram-se na garantia de transpar\u00eancia das inst\u00e2ncias e responsabilidades envolvidas, incluindo nos casos em que a governan\u00e7a ainda se encontra em processo de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E<em>ste conte\u00fado faz parte de uma s\u00e9rie de cinco artigos mensais que nossos especialistas est\u00e3o preparando sobre as normas. Acompanhe mensalmente na newsletter da WayCarbon.\u00a0<a href=\"https:\/\/conteudo.waycarbon.com\/newsletter-waycarbon-cadastro\"><strong>Inscreva-se.<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crescente incorpora\u00e7\u00e3o de temas de sustentabilidade e clima \u00e0 agenda corporativa vem transformando n\u00e3o apenas o que as empresas reportam, mas, sobretudo, como tomam decis\u00f5es. 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