Estudo discute a descarbonização e a competitividade da indústria brasileira

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A indústria brasileira representa 25% do PIB nacional e responde por aproximadamente 9% das emissões de gases de efeito estufa. A descarbonização da indústria é, portanto, elemento central para que o país alcance suas NDCs até 2050. Esse esforço deve incluir, necessariamente, os setores de difícil abatimento (como cimento, aço, alumínio, química, vidro, papel e celulose), que desempenham um papel decisivo. 

Já existem pelo menos 28 instrumentos de financiamento nacionais e internacionais que apoiam direta ou indiretamente esse processo. Nesse cenário, o financiamento à descarbonização industrial demonstra depender menos da criação de novos instrumentos e mais do aperfeiçoamento, coordenação e estabilidade das políticas existentes. 

O aumento de escala da oferta de financiamento para descarbonização industrial deve ser convergente com uma política industrial estruturada e sinais de longo prazo que reduzam os riscos aos investimentos no setor, preservando a competitividade da indústria. 

Esses foram alguns insights revelados durante o webinar “Oportunidades de Políticas Públicas e Financiamento para Setores de Difícil Abatimento”, promovido por WRI Brasil e WayCarbon no dia 3 de março, que contou com a participação de: Júlia Cruz (Secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC), Andres Comba (Head do UK PACT e Assessor Sênior de Finanças Verdes da Embaixada Britânica), Bruna Araújo e Nathalia Pereira (lideranças da equipe de Finanças Sustentáveis da WayCarbon), Marina Garcia, Luana Betti e Karen Silverwood-Cope (Analista Sênior, Gerente e Diretora da WRI Brasil, respectivamente). 

A base para o debate foram os resultados das pesquisas realizadas no âmbito do Projeto “Unlocking Finance for Industrial Decarbonisation in Brazil”, em desenvolvimento por WayCarbon e WRI, com apoio da Embaixada do Reino Unido e do MDIC, e lançado durante a COP30. 

Políticas climáticas 

Durante a abertura do evento, Bruna Araújo listou as várias iniciativas ligadas à política climática e à descarbonização da indústria identificadas no Brasil. “Temos a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP); a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI); o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE); e o Programa Eco Invest Brasil. Eles têm o objetivo de aprimorar esse ecossistema, viabilizar o financiamento climático e, assim, possibilitar o cumprimento das NDCs brasileiras”, indica. 

Nathalia Pereira reforçou que o arranjo de instrumentos financeiros dentro do contexto de cada setor industrial é fundamental. “Assegurar a demanda pelos produtos industriais verdes e embutir nesses instrumentos formas de redução de risco para investimento, seja com um seguro por custo excedente, seja com um fundo garantidor ou algo semelhante, é o que vai efetivamente desbloquear a capacidade do setor de pensar em investimento de longo prazo, para muito além da oferta de novos produtos de financiamento”, diz.  

Instrumentos financeiros que apoiam a descarbonização 

Os 28 instrumentos identificados no âmbito da pesquisa pertencem às seguintes categorias: 

  • Linhas de crédito comerciais e subsidiadas; 
  • Instrumentos financeiros rotulados; 
  • Fundos setoriais e constitucionais; 
  • Grants
  • Instrumentos de blended finance;  
  • e fundos garantidores. 

Da mesma forma, foram mapeados 104 atores em seis áreas: setores privado e público, fontes de financiamento, facilitadores, geração de conhecimento e engajamento social, e quatro tipos de relações: financiamento, coordenação, facilitação e representação. O olhar para esse ecossistema permitiu identificar onde há articulações e iniciativas que estão funcionando bem e onde há lacunas e oportunidades.   

A figura abaixo apresenta os atores que mantêm relações de colaboração voltadas ao financiamento: 

Pontos-chave da indústria brasileira 

Em síntese, o estudo demonstra que o Brasil tem como pontos fortes um ecossistema amplo, diverso e relativamente estruturado para a descarbonização da indústria, além de possuir alto potencial de recursos renováveis com vocações regionais complementares, o que favorece a diversificação de rotas tecnológicas e amplia possíveis soluções. 

Por fim, outro ponto essencial são os avanços na frente regulatória, que são elementos chave para atrair capital internacional, como o Eco Invest, iniciado em 2024, e a Taxonomia Sustentável Brasileira, lançada no último ano. 

A gravação do webinar está disponível no Canal da WRI Brasil no YouTube.

Acesse o estudo completo.

Maria Luiza Gonçalves
Jornalista e Analista de Comunicação Sênior at WayCarbon |  + posts

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