Desafios estratégicos do ano: financiamento climático e panorama regulatório

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O 16º episódio do WayCarbon Talks explorou os desafios estratégicos que aguardam as empresas em 2026 em relação a financiamento climático, panorama regulatório e transição. O debate contou com a participação de Henrique Pereira (COO) e Nathalia Pereira (Coordenadora de Finanças Sustentáveis), sob a mediação de Lauro Marins (Head de Consultoria e Soluções Digitais).

Introduzindo a conversa, Henrique Pereira apontou que alguns desafios já estão dados, principalmente a partir da agenda regulatória, resultante da objetividade que os temas de clima e sustentabilidade têm adquirido, mas que também refletem um contexto econômico desafiador. “A agenda precisa estar integrada aos negócios e o movimento precisar começar rapidamente. O financiamento é uma oportunidade e existem muitas inovações surgindo nesse aspecto, mas acessá-lo vai exigir preparação”, disse o executivo.

Normas IFRS

Os especialistas indicam que as normas IFRS, que serão obrigatórias para empresas de capital aberto a partir de 2027, devem estar entre as prioridades corporativas. “Aprendemos nos projetos desse escopo ao longo de 2025 que certamente existe a preocupação com acesso a dados confiáveis para os reportes, mas é um desafio menos complexo de ser superado do que os desafios de governança e estruturação interna das empresas. Nos projetos, temos feito o papel de aproximar os times de controladoria e compliance das equipes de sustentabilidade, que não estão acostumados a se relacionar”, explica Pereira.

A estruturação da governança e internalização da agenda demandam a evolução de competências organizacionais. O objetivo é que o conhecimento sobre sustentabilidade não fique restrito a uma área e passe a ser aplicado de forma eficaz aos contextos financeiro, de governança e de controladoria. “Por fim, outro elemento estratégico muito importante no processo é o apetite ao risco e como isso reflete na tomada de decisão dos negócios”, complementa o executivo.

Financiamento climático

Em relação ao mercado financeiro, Nathalia Pereira aponta que algo a ser observado neste e nos próximos anos é que, na medida em que os bancos se apropriam da aplicação do IFRS, terão um olhar cada vez mais detalhado e mais rigoroso sobre os riscos climáticos dos clientes. “Se o sistema financeiro como um todo está mais apto a precificar e gerir riscos aos quais a carteira está exposta, naturalmente teremos fluxos financeiros mais estruturados para empresas mais resilientes e para projetos de maior impacto climático”, explica.

Segundo a especialista, o desafio é fazer a conexão da alocação de recursos dos bancos com bons projetos. “Para os bancos, haverá uma complexidade processual, de capacitação interna, envolvendo a integração de riscos e oportunidade climáticas, e uma avaliação do ROI muito mais robusta e sofisticada do que era visto até então. Do lado das empresas, virá a necessidade de demonstrar que determinado projeto de descarbonização ou resiliência é climaticamente desejável, mas também é racional do ponto de vista da maturidade financeira da companhia”, diz.

Planos de transição climática

Seguindo a conversa, os convidados apontam que o plano de transição climática é o ponto que unifica os desafios discutidos. O plano envolve ações estruturadas em componentes de descarbonização, resposta a riscos e oportunidades, contribuição para a transição, bem como possibilidades de financiamento para as ações. “A linguagem de transição é útil para dar conta da complexidade da agenda, porque os projetos e ações passam a estar no mesmo pacote de posicionamento de longo prazo das empresas”, diz Nathalia.

Para Henrique Pereira, essa iniciativa ajuda a aterrissar os componentes da estratégia climática. “Quando você tem uma economia sem sinais de retomada, juros altos e custo de capital ‘no teto’, a percepção global de riscos se torna mais imprevisível. Portanto, o debate sobre descarbonização hoje só faz sentido dentro de uma lógica de transição”, conclui.

Assista ou ouça o episódio completo.

Maria Luiza Gonçalves
Jornalista e Analista de Comunicação Sênior at WayCarbon |  + posts

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